terça-feira, 11 de julho de 2017

Senadoras tomam lugar de Eunício, que suspende sessão e apaga luzes do Senado

Eunício (em pé, de braços cruzados) é impedido por senadoras de ocupar sua cadeira na mesa diretora da CasaA sessão reservada para a votação da proposta de reforma trabalhista no Senado foi suspensa no início da tarde desta terça-feira (11) após confusão com direito a um plenário largado no escuro por ordens do presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE). A suspensão da sessão e o apagar das luzes foram reações de Eunício ao fato de ter sido impedido de por senadoras da oposição de ocupar seu posto na mesa diretora e comandar os trabalhos.

O senador se reúne no gabinete da Presidência do Senado com líderes dos partidos para tentar retomar a votação da reforma trabalhista, assunto que representa uma prova de fogo da base aliada do governo Michel Temer no Congresso, há menos de uma semana do início do recesso parlamentar. 
Para aprovar o texto, são necessários, pelo menos, 41 votos dos 81 senadores. 

A expectativa do governo de Michel Temer (PMDB) é de um placar bastante apertado. Caso os senadores confirmem o texto da reforma, sem realizar nenhuma mudança, o projeto seguirá para sanção presidencial no dia seguinte. Se reprovado, o texto será arquivado.

Contexto político 

Em meio à análise pelos deputados da denúncia contra o presidente da República por crime de corrupção passiva, apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, já havia prometido que a votação estaria na pauta do dia, independentemente do que acontecer na Câmara.
Como as discussões da matéria já foi dada por encerrada na última quinta-feira (6), pelo presidente do Senado, na sessão de hoje, os líderes de partidos e de blocos partidários poderão apenas orientar suas bancadas para aprovar ou rejeitar o projeto.

Além disso, não haverá discursos de senadores que não são líderes. Em seguida, a votação será feita nominalmente com divulgação do resultado no painel eletrônico.
Se aprovado o texto principal, os senadores vão analisar as emendas apresentas em plenário.

As que receberam parecer contrário deverão ser votadas em globo, ou seja, todas juntas de uma vez e, provavelmente, em votação simbólica. Todas têm parecer pela rejeição.
Depois é a vez das emendas destacadas seguirem para votação em separado pelos partidos ou blocos partidários. A votação de cada destaque também poderá ser encaminhada pelas lideranças.

Proposta do governo

A proposição a ser analisada prevê, além da supremacia do negociado sobre o legislado, o fim da assistência obrigatória do sindicato na extinção e na homologação do contrato de trabalho. Além disso, extingue a contribuição sindical obrigatória de um dia de salário dos trabalhadores.
A reforma trabalhista propõe ainda mudanças nas férias, que poderão ser parceladas em até três vezes no ano. Além disso, estipula regras para o trabalho remoto, também conhecido como home office. Para o patrão que não registrar o empregado, a multa foi elevada e pode chegar a R$ 3 mil. Atualmente, a multa é de um salário-mínimo regional. 


O Deus de cada UM.

ZONA DE CONFORTO

sábado, 8 de julho de 2017

BOLSONARO ENGANA SEUS ELEITORES.

Sexo oral e relações sem camisinha estão disseminando super-gonorreia, segundo a OMS

O sexo oral está produzindo uma perigosa forma de gonorreia, e o declínio no uso da camisinha está ajudando a espalhar a doença, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Ilustração mostra imagem tridimensional gerada por computador de bactérias Neisseria gonorrhoeae resistentes a antibiótico  (Foto: CDC/ James Archer)A entidade alerta que se alguém contrai gonorreia, agora ela é muito mais difícil de tratar - em alguns casos, impossível. Isso porque a doença sexualmente transmitida (DST) está rapidamente desenvolvendo resistência a antibióticos. Especialistas dizem que a situação está "bastante sombria" com poucos medicamentos à vista.
Em torno de 78 milhões de pessoas contraem DSTs por ano e elas podem causar infertilidade em casos não tratados. A OMS analisou dados de 77 países que mostraram que a gonorreia resistente a antibióticos se espalhou por várias nações.
Teodora Wi, da OMS, conta que foram encontrados três casos - no Japão, França e Espanha - onde a infecção era simplesmente intratável. "A gonorreia é uma bactéria muito esperta, toda vez que você introduz uma nova classe de antibióticos para tratá-la, a bactéria adquire resistência", afirma.
A grande maioria das infecções de gonorreia ocorre em países pobres onde a resistência (aos antibióticos) é ainda mais difícil de detectar.

Sexo oral

A gonorreia pode infectar as genitais, o reto e a garganta, mas a que mais preocupa agentes de saúde é essa última.
Wi explica que a gonorreia na garganta aumenta as chances de o micro-organismo desenvolver resistência a antibióticos, já que estes medicamentos são administrados em menor dosagem para infecções nesta área do corpo repleta de bactérias - entre as quais algumas que desenvolveram a resistência a drogas.
"Quando você usa antibióticos para tratar infecções como uma dor de garganta normal, isto se mistura com as espécies Neisseria (do mesmo gênero da bactéria da gonorreia) na sua garganta o que resulta em resistência", segue Wi.
A propagação da bactéria da gonorreia no ambiente através do sexo oral pode levar a uma supergonorreia.
Wi diz que nos Estados Unidos a resistência (ao antibiótico) decorreu do tratamento da infecção de faringe "de homens que faziam sexo com homens".
E a redução do uso de camisinhas pode ajudar à dispersão da infecção.

O que é gonorreia?

A doença é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoea. A infecção se espalha através do sexo desprotegido, tanto vaginal, como oral e anal.
Entre os infectados, um em dez homens heterossexuais, além de mais de três quartos das mulheres e de homens gays não têm sintomas facilmente reconhecidos.
Mas os sintomas podem incluir uma secreção verde ou amarela a partir dos órgãos sexuais, dor ao urinar e sangramentos esporádicos. Infecções não tratadas podem levar a infertilidade, doença inflamatória pélvica e podem ser transmitidas para o bebê durante a gravidez.
A OMS está cobrando que países monitorem a dispersão da gonorreia resistente e invistam em novas drogas.
"A situação é bastante sombria", comentou Manica Balasegaram, da Parceria Global de Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos. "Há apenas três drogas sendo produzidas e não há garantia de que nenhuma vá de fato funcionar".
E, segundo a OMS, vacinas vão ser necessárias para interromper a dispersão da gonorreia.
"Desde a introdução da penicilina, que garante uma cura rápida e confiável, a gonorreia desenvolveu resistência a todos os antibióticos", explicou Richard Stabler, da Escola de Londres de Higiene e Medicina Tropical.
"Nos últimos 15 anos, a terapia precisou ser trocada três vezes por conta do aumento das taxas de resistência no mundo. Estamos agora num ponto em que estamos usando as drogas como último recurso, mas há sinais preocupantes de falha no tratamento devido a cepas resistentes."

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O presidente da Câmara mal esquenta a cadeira no Congresso. Está mais ocupado recebendo os deputados que podem fazê-lo sucessor de Temer

“Vai lá no jantar hoje?”. O convite feito às pressas na noite de quarta-feira, dia 5, partia do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). O destinatário era o deputado mineiro Júlio Delgado, um dos expoentes do PSB na oposição ao governo Temer. Delgado afirmou que não poderia naquele horário, às 20h30, ao que Maia insistiu: “passa lá mais tarde, vai às 22h30, vai às 23h”. Delgado brincou: “Poxa, é muito tarde, não sou o Joesley para você me receber neste horário”.
Rodrigo Maia (Foto:  REUTERS/Adriano Machado)Passava pouco das 19h e, como vem fazendo nos últimos dias, Maia passou brevemente pelo plenário da Casa que comanda. Não deu nem tempo de sentar na cadeira de presidente. Ele logo deixou o local para, antes de ciceronear deputados de vários partidos na residência oficial, fazer um agrado no gabinete da liderança do PSB. Ali, o compromisso era um parabéns-a-você para Tereza Cristina, do Mato Grosso do Sul, parlamentar em primeiro mandato. Mas ela é líder da bancada do PSB, a sexta maior da Câmara, com 37 deputados.
O périplo no discreto evento, que tinha apenas 15 deputados, foi mais um corpo a corpo de Maia. Ele parece estar em campanha: vem se movimentando intensamente nos bastidores do colégio eleitoral que escolherá o substituto de Temer, caso a Câmara aprove o prosseguimento da ação penal contra o presidente e o Supremo Tribunal Federal não a rechace.
A residência do presidente da Câmara já foi palco de jantares que receberam dezenas de deputados de todos os matizes ideológicos na segunda e na terça-feira passadas. Oficialmente, os assuntos que foram tratados eram sempre pautas da Câmara, como a reforma política e a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, necessária para que haja o recesso de julho. Na boca dos parlamentares, porém, eram recorrentes conversas sobre a possibilidade cada vez mais concreta de Maia assumir a Presidência da República.
De perfil discreto, Maia sempre foi fiel ao governo Temer. Com o acirramento da crise política, ele e seu partido vem reiterando que Maia está seguindo seu papel institucional à risca, sem interferir contra ou a favor do governo no andamento dos trabalhos do parlamento. Os sinais de seu interesse em migrar para o Palácio do Planalto, contudo, têm se intensificado e chamado a atenção até da oposição, que não esconde que vem recebendo mais atenção de Maia.
A articulação nessas duas frentes tem refletido na própria agenda e na postura do presidente da Câmara. Na manhã de quarta-feira mesmo, por exemplo, ele evitou sentar na cabeceira da mesa onde foi realizada a reunião de líderes da Casa. À tarde, foi ao Palácio do Planalto se encontrar com Temer, agenda que também cumpriu na segunda. Diferentemente do que aconteceu com Temer e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) às vésperas do impeachment, o presidente e Maia têm mantido o diálogo e a relação cordial de aliados nos encontros, que se mantêm constantes. 
A postura de Maia, de que está cumprindo seu papel institucional na condução da Câmara, é uma estratégia para deixar o governo e sua base sangrarem sozinhos, sem que cole em si a pecha de traidor. A nomeação na terça-feira de Sérgio Zveiter, do PMDB do Rio, para relatar a denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça também fez parte dessa estratégia. Partiu do próprio Maia o pedido para que o presidente da comissão, o peemedebista Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), não escolhesse nenhum nome do DEM para relatar o caso, já que isso poderia dar a impressão de uma articulação explícita de Maia contra Temer
Com isso, foi mais fácil para o DEM atribuir a escolha do “independente” Zveiter a uma disputa interna do próprio PMDB. Antigo conhecido de Maia no Rio e amigo do ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, expoente da bancada carioca da sigla, Zveiter era o terceiro nome na preferência da bancada do PMDB na Câmara, liderada pelo paulista Baleia Rossi, fiel escudeiro de Temer. Sua escolha acabou causando mal-estar na parte da bancada ligada ao grupo mais fiel ao governo. No mesmo dia, Zveiter marcou presença no jantar na casa de Maia.
Neste meio tempo, a prisão do ex-ministro e um dos interlocutores mais próximos de Temer, Geddel Vieira Lima, e a expectativa de que o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), preso em Curitiba, feche um acordo de delação, reforçando ainda mais as acusações contra Temer, derreteram a base do governo durante a semana.
Os próprios aliados do peemedebista admitem a derrota na CCJ por um placar de cerca de 40 votos favoráveis à denúncia. Em sua tentativa de reação, o presidente Temer convocou uma reunião com seus 22 ministros na tarde de quarta e, em um ato falho político, segundo um veterano do Congresso, chegou a admitir hipoteticamente que será derrotado na Câmara, mas que o Supremo Tribunal Federal o inocentará.
Na quinta-feira, foi a vez de o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), afirmar que Maia “tem condições” de conduzir a transição do país até 2018, em uma rara indicação de posicionamento da sigla, que tem se dividido entre os deputados mais jovens contrários a Temer e os caciques mais velhos preocupados em articular uma aliança com o governo pela estabilidade.
O peso de Temer começa a sobrecarregar até os mais resilientes governistas, como o DEM. Nesse cenário, Maia pisa leve e garimpa apoios em legendas como o PCdo B e PDT, de olho no Palácio do Planalto.