terça-feira, 4 de julho de 2017

Geddel é citado nas conversas entre Michel Temer e Joesley Batista

Resultado de imagem para gedelO nome de Geddel Vieira Lima foi citado na conversa com o presidente Michel Temer que o delator e dono da JBS, Joesley Batista, gravou. Geddel Vieira Lima era um dos ministros mais próximos do presidente Michel Temer. Saiu do governo, mas, segundo as investigações, não se afastou completamente. Na conversa que o empresário Joesley Batista gravou com Temer no Palácio do Jaburu, na noite de 7 de março, o nome de Geddel foi mencionado várias vezes.
Em um dos trechos, Joesley fala que perdeu contato com Geddel quando o ex-ministro de Temer começou a ser investigado e que, por isso, estava sem interlocutor no governo para falar sobre os assuntos de interesse do grupo.
Em seguida, Joesley disse a Temer que zerou suas pendências com Eduardo Cunha e, assim, tirou da frente. Nesse ponto, Joesley também disse que com isso conseguiu ficar de bem com Cunha e então ouviu de Temer a frase “tem que manter isso, viu”.
A Procuradoria-Geral da República afirma que existe a suspeita do crime de obstrução de justiça. Temer está sendo investigado por isso e deve ser denunciado em breve por esse crime.
Joesley diz: “Mas com o Geddel também com esse negócio, eu perdi contato porque ele virou investigado. Agora eu não posso... Também...”.
Temer comenta: “É complicado, é complicado”.
Joesley emenda: “Eu não posso encontrar ele”.
Temer alerta ao empresário que o contato dele com Geddel pode parecer obstrução de justiça: “É porque parecer obstrução de justiça, viu?”.
Joesley concorda: “Isso, isso, isso, isso”.
Temer conclui: “Perigosíssima essa situação”.
Joesley diz: “Negócio dos vazamentos... O telefone lá do Eduardo, com Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós, a não sei o que... Eu estou lá me defendendo. Como é que eu... O que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora: eu estou... Eu estou de bem com o Eduardo”.
Em um novo trecho esclarecido pela perícia, Temer responde: “Muito bem”.
Joesley diz: “E...”.
Ao que Temer completa: “Tem que manter isso, viu?”.
Em outro trecho da conversa, Joesley também disse que vinha falando através de Geddel e que não queria incomodar o presidente. Na denúncia contra Temer, o procurador Rodrigo Janot afirma que foi nesse ponto da conversa que Temer autorizou que Joesley conversasse a partir de então com Rodrigo Rocha Loures.
Joesley diz: “Pra mim falar contigo, qual é a melhor maneira? Porque eu vinha falando através do Geddel, através... Eu não vou lhe incomodar, evidente. Se não for algo assim...”.
Temer responde: “As pessoas ficam.. Sabe como é...”.
Joesley segue: “Eu sei disso. Por isso é que...”.
Temer diz após um trecho ininteligível: “Um pouco”.
Joesley pergunta: “É o Rodrigo?”.
Temer confirma em novo trecho ouvido pelos peritos: “O Rodrigo”.
Joesley fala: “Ah, então tá ótimo”.
Geddel Vieira Lima foi ministro da Secretaria de Governo de Temer até novembro de 2016 quando pediu demissão. Saiu acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tê-lo pressionado para liberar uma obra em Salvador, na qual Geddel seria dono de um apartamento.
No Congresso, a repercussão da prisão de Geddel foi imediata. A oposição acha que enfraquece a base do presidente no Congresso.
“Quanto mais as denúncias surgem, quanto mais os crimes aparecem perante a população, os parlamentares vão percebendo que não dá mais para segurar uma situação gravíssima como essa e vão acabar abandonando o presidente onde a maioria de seus assessores diretos estão denunciados e muitos presos”, disse o senador Paulo Paim, do PT-RS.
O líder do governo lamentou: “Eu lamento, claro. Volto a dizer. Acho que a prisão deve ser sempre o último recurso. Eu não conheço o processo, não conheço o recurso. Então, fica difícil falar”, disse o senador Romero Jucá, do PMDB-RR.
A defesa de Geddel Vieira Lima afirmou que considera absolutamente desnecessário o decreto de prisão preventiva, que Geddel sempre se colocou à disposição das autoridades para apresentar os documentos que lhe fossem solicitados, inclusive abrindo mão do passaporte e dos sigilos bancário e fiscal.
A defesa afirmou ainda que Joesley Batista foi enérgico em pontuar que jamais pagou propina ou qualquer tipo de vantagem indevida a Geddel Vieira Lima. A defesa disse que Geddel é inocente e que tem confiança na Justiça.
O Palácio do Planalto não quis comentar a prisão de Geddel.