domingo, 29 de novembro de 2015

Em depoimentos, Delcídio e André Esteves entram em contradição

O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, ambos presos nesta semana pela Polícia Federal pela acusação de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, que apura desvios em contratos da Petrobras, caíram em contradição em depoimentos prestados nesta semana.
Ambos foram presos pela Polícia Federal nesta semana após o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, concordar com as alegações do Ministério Público de que eles atuavam de forma organizada e permanente para atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato.
À Polícia Federal, o senador Delcídio afirmou ter conversado com o banqueiro sobre Nestor Cerveró - ex-diretor da Petrobras. Mas André Esteves negou. Em seu depoimento, o banqueiro afirmou que nunca tratou com Delcídio do Amaral, ou com quer que seja, sobre a colaboração premiada de Nestor Cerveró. Disse ainda que nunca pagou o ofereceu vantagem financeira relacionada a este eventual acordo de colaboração.
O banqueiro preso, segundo a investigação, tinha uma cópia do acordo de delação premiada de Cerveró, um documento que é sigiloso. A Polícia Federal pretende descobrir quem vazou essa cópia. São suspeitos para a polícia Sérgio Vieira, advogado do operador Fernando Baiano, e a advogada de Cerveró, Alessi Brandão. Os dois foram citados na gravação feita pelo filho de Nestor cerveró e serão ouvidos na investigação.

A defesa de André Esteves alega que as falas foram usadas fora do contexto e afirma que o banqueiro nunca teve acesso à delação premiada feita por Nestor Cerveró.
 Cópia da delação no gabinete de Delcídio

A Polícia Federal também apreendeu no gabinete do senador Delcídio do Amaral uma cópia da delação premiada de Fernando Soares, o Fernando Baiano, como o jornal O Globo informou e o Jornal Nacional confirmou. O documento é mantido sob sigilo pela Justiça. A informação foi confirmada pelo advogado Délio Lins e Silva Junior, que defende Diogo Ferreira, chefe de gabinete do senador.
Prisão
Delcídio do Amaral foi preso pela PF na última quarta-feira (25). Segundo as investigações, ele estava atrapalhando as investigações da Lava Jato.
Nas gravações telefônicas que embasaram o pedido de prisão feito pela PGR, Delcídio oferece para o filho de Cerveró, além da fuga para a Espanha, uma mesada de R$ 50 mil para o ex-diretor não citar o parlamentar em delação premiada. A gravação foi feita pelo filho de Cerveró, Bernardo Cerveró.
Para a polícia, Delcídio confirmou que é a voz dele que está na gravação. Ele alegou, no entanto, ser inocente e negou que tenha oferecido mesada de R$ 50 mil mensais para que Cerveró evitasse fazer acordo de delação premiada.
Depoimento de Delcídio
Em depoimento nesta semana, Delcídio disse aos policiais que queria a soltura do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró por "questões humanitárias".
A GloboNews teve acesso ao depoimento dado por Delcídio à PF. O senador também falou que tinha informações de que o vice-presidente Michel Temer tinha relações próximas com o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada, também preso pela Lava Jato.
Na gravação telefônica, o senador fala para o filho de Cerveró e para o advogado que o vice-presidente da República, Michel Temer, havia procurado o ministro do STF Gilmar Mendes para tratar sobre Zelada. Segundo diz Delcídio na conversa por telefone, Temer estaria "preocupado" com Zelada.
O senador explicou aos policiais que citou Temer porque, segundo "informações que se tinham à época", o vice-presidente mantinha relações próximas com Zelada. Questionado sobre o que seria essa proximidade, Delcídio disse que preferia não responder.
A assessoria de imprensa de Temer, que também é presidente do PMDB, divulgou nota nesta sexta sobre a declaração de Delcídio. O texto diz que "Jorge Zelada foi levado à presidência do PMDB por estar sendo indicado para cargo na Petrobras, ocasião em que foi apresentado a Michel Temer. O presidente do PMDB não o indicou nem trabalhou pela sua manutenção no cargo".
Na nota, a assessoria diz que repudia as declarações do senador. "Portanto, o presidente do PMDB nega qualquer relação de proximidade com Jorge Zelada e repudia veementemente as declarações do senador Delcídio do Amaral", completa o texto.