sábado, 11 de março de 2017

Temer diz esperar ver 'enchentezinha' na Paraíba até o fim do governo

Em tom de brincadeira, presidente fez referência ao fim de seca histórica.Ele voltou a dizer que não se pode falar em 'paternidade' da transposição.

Foi inaugurado pelo presidente Michel Temer o Eixo Leste da transposição das águas do Rio São Francisco, nesta sexta-feira (10), em Monteiro, na Paraíba. Na solenidade, o presidente liberou a passagem da água pelas comportas do canal da transposição e, em tom de brincadeira, afirmou esperar "uma ou outra enchentezinha" até o fim do governo dele.
"Agora, com a transposição e com a complementação da transposição, que serão completadas, eu espero, governador Ricardo Coutinho, que ao final deste mais um ano e oito meses de governo, eu possa vir aqui e dizer, como o senhor salientou, que toda a Paraíba está irrigada, está inundada de água, quem sabe até uma ou outra enchentezinha", destacou o presidente.

A água, que chegou ao solo paraibano na noite de quarta-feira (8), começa a encher o reservatório de Poções, no mesmo município, e segue por outros reservatórios e rios. No discurso, o Temer destacou que a obra "passou por vários governos, vários governos que merecem o aplauso de todos", citando ainda que "trarão vida a regiões historicamente castigadas pelo flagelo da seca".
Temer já havia, mais cedo, rejeitado a "paternidade" da transposição. Em Monteiro, ele citou que a obra passou por vários governos, "que merecem o aplauso de todos" e se disse emocionado. "O que importa agora é comemorar aquela enxurrada. Nós fomos acionar o instrumento para poder soltar as águas para cá, e nós todos nos impressionamos, porque não era uma vertente de água, era uma enxurrada de água. Foi uma coisa emocionante. Eu vi alguns até lacrimejando quando viram essa enxurrada de água".
Protesto durante a solenidade
Por volta das 15h, um grupo de manifestantes se reuniu ao lado da estrutura montada para a cerimônia, para protestar contra o presidente Michel Temer. Eles gritavam “fora Temer” e “fora golpistas”, levaram faixas agradecendo ao ex-presidente Lula pela transposição e se manifestando contra Temer, citando projetos como a Reforma da Previdência.
Sobre o protesto, o presidente disse que "eles estão no sol, certa e seguramente, ao final do dia eles vão se banhar com as águas da transposição do Rio São Francisco, tenho certeza disso".
Protesto contra Michel Temer, em Monteiro, PB (Foto: Artur Lira\G1)
Protesto contra Michel Temer, em Monteiro, Paraíba (Foto: Artur Lira)
Paternidade da transposição
Mais cedo, em passagem por Campina Grande, Michel Temer ainda afirmou que não queria ser "pai" da transposição. "Eu não quero a paternidade desta obra. Ninguém pode tê-la. A paternidade é do povo brasileiro e do povo nordestino. Vocês é que pagaram impostos ao longo do tempo, vocês é que permitiram que pudéssemos fazer grandes investimentos nessa obra, que cada vez mais está sendo festejada", afirmou Temer.
Para o presidente, o governo fez "muitos esforços" nos últimos meses para viabilizar a inauguração do primeiro eixo da obra. Ele afirmou ainda que a transposição é do "maior interesse" e da "maior relevância" para o "povo de vários estados do Nordeste".Caminho das águas
Após a liberação, a água vai levar entre três e cinco dias para chegar no açude Poções e mais um dia para conseguir atingir a capacidade máxima do reservatório, passar pelo sangradouro e seguir com destino a Camalaú pelo Rio Paraíba.
As águas do São Francisco, parte da transposição do eixo leste, chegaram à Paraíba às 18h20 de quarta-feira (8). A informação foi confirmada pelo secretário nacional de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Antônio de Pádua de Deus, durante uma reunião em Sertânia, em Pernambuco.
Estudada desde a época do império no Brasil, a obra foi iniciada em 2007 no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com previsão de conclusão para 2012. A água do 'Velho Chico" chega à Paraíba no momento da maior crise hídrica da história do estado, que já dura cinco anos. Por causa da falta de chuvas significantes, a maior parte das cidades do Sertão, Cariri e Agreste estão enfrentando racionamento no abastecimento de água encanada e algumas são abastecidas por carros-pipa.
No evento realizado em Monteiro, discursaram a prefeita de Monteiro, Anna Lorena Leite, o senador Cássio Cunha Lima, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho e o Governador da Paraíba, Ricardo Coutinho.Para onde a água do São Francisco vai
Depois de chegar em Monteiro, a água agora vai seguir pelo Rio Paraíba e passando pelos açudes de Poções, Camalaú, Epitácio Pessoa, conhecido como Boqueirão, depois segue para Acauã, Aracagi, chegando até um perímetro irrigado que está sendo criando na cidade de Sapé.
Para facilitar a passagem da água, os açudes de Poções e Camalaú estão passando por obras para abrir espaço nas barragens. Assim, não será necessário aguardar que estes açudes encham para que a água siga seu caminho natural.
Água é captada na barragem de Itaparica, em Petroância, Pernambuco (Foto: Artur Lira/G1)A viagem da água que leva esperança para os paraibanos do Cariri e Agreste começa na cidade pernambucana de Petrolândia, a 429 quilômetros de Recife. A água é captada na barragem de Itaparica e segue por 208 quilômetros até a cidade de Monteiro, no Cariri paraibano.
Água é captada na barragem de Itaparica, em Petrolândia, Pernambuco (Foto: Artur Lira)


De onde a água vem
Na viagem entre Petrolândia e Monteiro, a água passa por seis estações elevatórias de água, cinco aquedutos, 23 segmentos de canais e ainda 12 reservatórios. A intenção da criação dos reservatórios é beneficiar as comunidades onde foram construídos e também garantir que a água não pare de correr pelos canais, caso seja necessário fazer algum reparo no trecho.
Os 12 reservatórios são: Areais, Baraúnas (o maior deles, com capacidade para mais de 14 milhões de metros cúbicos de água), Mandantes, Salgueiro (5,2 milhões de m³), Muquem, Cacimba Nova, Bagres, Copití, Moxotó, Barreiro, Campos (o segundo maior com 8 milhões de m³) e Barro Branco.
Presidente Michel Temer em visita a Campina Grande, Paraíba, para assinatura de ordem de serviço de adequação da BR-230 (Foto: Silvana Torquato/Jornal da Paraíba)Presidente Michel Temer em visita a Campina Grande, Paraíba, para assinatura de ordem de serviço de adequação da BR-230 (Foto: Silvana Torquato/Jornal da Paraíba)
Ampliação da BR-230
Na manhã desta sexta-feira, o presidente Michel Temer visitou Campina Grande e assinou ordens de serviços que autorizam a adequação de dois trechos da BR-230 na Paraíba. Em solenidade no Complexo Multimodal Aluízio Campos, no bairro do Ligeiro, Temer liberou o início das obras de R$ 255 milhões no trecho entre Cabedelo e João Pessoa.
Temer destacou o ato de ampliação da rodovia e a importância da construção civil para a economia. "Este momento de duplicação da rodovia é mais um ato importante que vem sendo comemorado neste evento. Quando concluir esta obra, haverá desempregados, que logo serão empregados em novas obras do Governo Federal. Nós hoje estamos começando no governo a melhorar um pouco a economia e um dos setores que mais melhoram a economia é a area da construção civil, porque é emprego rápido, é emprego imediato", disse.
Conforme publicação no Diário Oficial da União (DOU) no dia 25 de janeiro, o consórcio vencedor da licitação vai ser responsável pela triplicação da rodovia no trecho que começa em Cabedelo, na Grande João Pessoa, até o km 28,1, nas imediações do viaduto Ivan Bichara, também conhecido como viaduto de Oitizeiro. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) anunciou que vai construir 13 novos viadutos no trecho e desafogar o trânsito na região metropolitana de João Pessoa.