domingo, 16 de junho de 2019

'Não tenho como não pensar que não mandaram matar meu pai', desabafa filho de Teori Zavascki

Na foto, Francisco Zavascki se emociona em missa de 30 dias em memória do ministro Teori Zavascki Foto: Jorge William / Agência O GloboRIO - Filho do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, morto em janeiro num acidente aéreo , Francisco Zavascki publicou um desabafo em seu perfil no Facebook, na noite de quarta-feira, depois que foram divulgadas informações sobre as delações do empresário Joesley Batista, dono da JBS . Em sua postagem, Francisco pediu o impeachment do presidente Michel Temer, relatou a aflição de seu pai com relação a 2017 ao saber "quanto cada um estava afundado nesse mar de corrupção" e terminou dizendo que "não tenho como não pensar que não mandaram matar o meu pai!", escreveu ele.
Franscisco Zavascki publicou desabafo eu seu perfil no Facebook Foto: Reprodução Facebook

Teori era o relator dos processos referentes à Operação Lava-Jato no STF, mas morreu tragicamente na queda de um avião no dia 19 de janeiro. Francisco escreveu que as investigações chegaram muito próximas aos líderes do PMDB. Segundo ele, "o PT nunca tentou nada para barrar a Lava Jato (...), o que sempre gerou fortes críticas de membros do PMDB". O filho de Teori continua acusando os líderes do partido de Temer de trabalhar para brecar a operação "a qualquer custo".
Francisco, em seu post, passa a se perguntar: "Do que eles são capazes? Será que só pagar pelo silêncio alheio? Ou será que derrubar avião também está valendo? O pai sabia de tudo isso. (...) Não é por acaso que o pai estava tão aflito com o ano de 2017".
"O PMDB está no poder desde sempre e, como todos sabemos, estava com o PT aproveitando tudo de bom que o Governo pode dar... até que veio a Lava-Jato. A ordem sempre foi a de parar a Operação (isto está gravado nas palavras dos seus líderes). Todavia, ao que parece, até para isso o PT era incompetente e, ao que tenho notícia, de fato, o PT nunca tentou nada para barrar a Lava Jato (ao menos o pai sempre me disse que nunca tinham tentado nada com ele), o que sempre gerou fortes críticas de membros do PMDB. O problema é que as investigações começaram a ficar mais e mais perto e os líderes do PMDB viram como única saída, realmente, brecar a Operação a qualquer custo. Para isso, precisava do poder. Derrubaram a Dilma e assumiu o Temer. Do que eles são capazes? Será que só pagar pelo silêncio alheio? Ou será que derrubar avião também está valendo? O pai sabia de tudo isso. Sabia quanto cada um estava afundado nesse mar de corrupção. Não é por acaso que o pai estava tão aflito com o ano de 2017. Aflito ao ponto de considerar que havia consultado informalmente as Forças Armadas e que tinha obtido a resposta de que iriam sustentar o Supremo até o fim!Que gente sínica. Não tem coisa que me embrulha mais o estômago do que lembrar que, no dia do velório do meu pai, diante de tanta dor, ainda tive que cumprimentar os membros daquele que foi apelidado naquele mesmo dia de "cortejo dos delatados". Impeachment já!Desculpem o desabafo, mas não tenho como não pensar que não mandaram matar o meu pai!"
ENTENDA AS REVELAÇÕES DA JBS
Conforme revelou O GLOBO nesta quarta-feira, o presidente Michel Temer foi gravado pelo dono da JBS Joesley Batista, dando aval para o pagamento de propina ao deputado cassado Eduardo Cunha em troca do silêncio dele. Diante de Joesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley.
Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: "Tem que manter isso, viu?".
Aécio Neves foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley . O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).

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