quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Cunha e Temer: quem está mentindo?

Lula Marques/ Agência PTApós longa espera, finalmente o juiz Sergio Moro, chefão da midiática Operação Lava-Jato, ouviu o primeiro depoimento do correntista suíço Eduardo Cunha nesta terça-feira (7). O motivo da demora ficou explícito: o ex-presidente da Câmara Federal desmentiu o Judas Michel Temer e complicou a vida do covil golpista. Ele garantiu que o usurpador, que nunca teve nada de decorativo, participou de reuniões para discutir as nomeações do PMDB na direção da Petrobras. Em nota, o Palácio do Planalto voltou a negar a acusação. Quem está mentindo? Eduardo Cunha, Michel Temer ou ambos?
O depoimento do deputado cassado, que está preso há quatro meses, colocou o nome do Judas novamente no centro das investigações dos esquemas de propina na estatal. Durante a audiência em Curitiba, Eduardo Cunha leu uma carta escrita de próprio punho. Ele reclamou das condições da cadeia, anunciou que tem um aneurisma – para surpresa até dos seus advogados – e fustigou Michel Temer. Ele afirmou que o usurpador participou de reunião da bancada peemedebista, em 2007, para definir indicações do partido à diretoria Internacional da Petrobras. “Michel Temer participou, sim, da reunião e comunicou a nós o que havia acontecido”, garantiu Eduardo Cunha.

O diretor indicado na ocasião, Jorge Zelada, também está preso por corrupção. A influência do correntista suíço nesta nomeação foi apontada como o principal motivo para que ele recebesse propinas da Petrobras, segundo o Ministério Público Federal. “Cunha disse a Sergio Moro que não cabia a ele a indicação para a Petrobras, mas que, como um dos coordenadores da bancada do PMDB, ‘sabia de tudo e de todos’, e que foi informado por Temer sobre o acordo com os deputados. Temer, em ocasiões anteriores, negou ter participado da reunião e disse que não tinha conhecimento de supostas ameaças do PMDB para forçar a indicação na Petrobras”, descreve a Folha desta quarta-feira (8).

Cunha bota medo em Temer

A confirmação da presença do Judas nas negociatas indica que Eduardo Cunha tem muita bala na agulha e pode detonar o covil golpista. Ao se tornar réu na 13ª Vara Federal de Curitiba, ele já havia arrolado Michel Temer como testemunha – o que gerou forte inquietação em Brasília. O clima só melhorou porque o “justiceiro” Sergio Moro aliviou a barra do usurpador. Eduardo Cunha apresentou, em novembro passado, uma série de 41 perguntas, mas o juiz da Lava-Jato barrou 21 dos questionamentos, inclusive três que remetiam a José Yunes, operador de Michel Temer afastado do Palácio do Planalto após ser apontado como intermediário de propina em dinheiro vivo.

Agora, porém, o depoimento volta a tumultuar a vida do golpista. Não é para menos que aumentaram os rumores de um acerto para libertar rapidamente Eduardo Cunha. Seria a forma de mantê-lo calado. Ele sairia da cadeia, curtiria a sua vida de milionário e seria esquecido pela mídia amiga dos falsos moralistas. A manobra ganhou contornos mais nítidos com as declarações feitas nesta terça-feira (7) pelo ministro Gilmar Mendes, líder do PSDB no Supremo Tribunal Federal (STF). Na véspera do julgamento de um pedido de liberdade feito por Eduardo Cunha, ele estranhamente questionou as prisões determinadas por Sergio Moro.

“Temos um encontro marcado com as alongadas prisões que se determinam em Curitiba. Temos que nos posicionar sobre este tema que conflita com a jurisprudência que desenvolvemos ao longo desses anos”, afirmou Gilmar Mendes. Pelo jeito, o processo para “estancar a sangria” da Lava-Jato está em ritmo acelerado.