sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Documento suíço mostra o caminho da propina que Cunha teria recebido

assinatura-de-cunha1Um documento da Justiça suíça detalha como o deputado cassado Eduardo Cunha, do PMDB, teria recebido o equivalente a R$ 4 milhões em propina depositada numa conta do país. Cunha, que está preso, já responde a essa acusação na Justiça brasileira.
A reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo” destacou que a Justiça suíça vê indícios concretos de que Eduardo Cunha se envolveu num esquema de corrupção.
A TV Globo também teve acesso ao documento do Tribunal Penal Federal, de novembro passado. Nele, os juízes explicam por que negaram o pedido para desbloquear contas na Suíça relacionadas a um negócio suspeito da Petrobras no Benin, em 2011.
A Justiça suíça deu detalhes de como parte do dinheiro investido pela Petrobras no país africano foi parar numa conta da Suíça. No texto, a Justiça não cita o nome de Eduardo Cunha.
Mas ao se referir ao beneficiário da conta, identificado pela letra N, diz que ele é ex-presidente da Câmara dos Deputados.
O documento aponta o caminho do dinheiro: a Petrobras pagou US$ 34,5 milhões em maio de 2011, pela exploração de uma área conhecida como bloco 4. O valor é o equivalente a R$ 111 milhões.
As autoridades suíças afirmam que, depois do negócio, 1,311 milhão francos suíços foram transferidos para uma conta que teria como beneficiário de fato, Eduardo Cunha.
O mesmo valor de 1,311 francos suíços - equivalente a R$ 4,1 milhões - consta em documentos do Ministério Público Brasileiro.
Segundo a Lava Jato, em maio e junho de 2011 foram realizadas cinco transferências bancárias para uma conta cujo beneficiário era Eduardo Cunha.
As autoridades suíças usam letras para se referir aos participantes da operação. Por esse esquema, a pessoa identificada como I repassou dinheiro a N, que seria Eduardo Cunha, e a F. Os pagamentos a N teriam sido feitos por meio de D.
A Lava Jato afirma que o empresário português Idalécio Oliveira pagou propina a Eduardo Cunha e ao ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada. Os pagamentos a Eduardo Cunha teriam sido feitos pelo operador João Augusto Henriques. Eduardo Cunha, Jorge Zelada e João Henriques estão presos.
As conclusões da Justiça suíça ajudaram a sustentar as denúncias do Ministério Público Federal no Brasil. Na Lava Jato, Eduardo Cunha é réu em dois processos. Na ação sobre o campo de petróleo no Benin, já foram ouvidas testemunhas de acusação e de defesa. Cunha será interrogado pelo juiz Sérgio Moro em fevereiro.
A defesa de Eduardo Cunha vai se manifestar apenas no processo.
A defesa de Jorge Zelada disse que só vai se manifestar quando tiver acesso ao documento.
O Jornal Nacional não conseguiu contato com a defesa de João Augusto Henriques. E não tivemos retorno dos advogados de Idalécio Oliveira.