domingo, 28 de fevereiro de 2016

Adversários condenam Trump por não recusar apoio de líder racista

Donald Trump discursa após vencer a primária da Carolina do Sul, no sábado (20) (Foto: Reuters/Jonathan Ernst)
Donald Trump está sendo criticado por seus adversários por não recusar firmemente o apoio de um ex-líder da Ku Klux Klan e de outros grupos de supremacia branca, David Duke, e por não condenar esses grupos. Duke disse em seu programa de rádio que seria “uma traição” não votar em Trump e, em uma entrevista à CNN na manhã de domingo (28), o empresário desconversou ao ser questionado sobre o assunto.“Não sei nada sobre isso que você está falando de supremacia branca. Então não sei, eu não sei – ele me apoiou ou o que está acontecendo? Porque eu não sei nada sobre David Duke, não sei nada sobre supremacistas brancos”, disse o pré-candidato republicano ao jornalista Jake Tapper no programa "State of the Union".

O jornalista então lembrou que Trump já havia citado Duke antes, mas o empresário voltou a desconversar. “Eu tenho que ver esse grupo. Quero dizer, não sei de que grupo você está falando. Você não quer que eu condene um grupo sobre o qual eu não sei nada. Teria que dar uma olhada. Se você me mandar uma lista desses grupos, farei uma pesquisa sobre eles e certamente irei reprovar se achar que há algo errado. Você pode ter grupos ali que são totalmente ok – isso seria injusto”, afirmou.

Tapper ainda insistiu, citando a KKK, e Trump afirmou que sequer conhece Duke. “Acredito que nunca o conheci. Tenho certeza. E simplesmente não sei nada sobre ele”, garantiu.

No entanto, David Duke foi citado pelo próprio Trump na sexta passada durante uma entrevista coletiva, quando um jornalista perguntou sobre a declaração do líder racista. “David Duke me apoiou? Ok, tudo bem. Eu desaprovo, ok?”, disse.

Bem antes disso, em 2000, Duke foi citado nominalmente, ao lado de Pat Buchanan e Lenora Fulani, como um dos motivos pelos quais Trump desistiu de tentar uma candidatura à presidência pelo Partido Reformista. “O Partido Reformista agora tem um membro da Ku Klux Klan, o senhor Duke, um neo-nazi, o senhor Buchanan, e uma comunista, a senhora Fulani. Essas não são companhias que desejo manter”, disse o empresário em um comunicado oficial.
Após a repercussão negativa da entrevista na CNN, Trump publicou no Twitter um post com um vídeo de sexta e o seguinte comentário: "como eu disse na coletiva de imprensa na sexta, em relação a David Duke - eu desaprovo".
Três outros pré-candidatos republicanos e os dois democratas criticaram a forma como Trump lidou com o assunto na CNN.

“Não podemos ser o partido que indica alguém que se recusa a condenar supremacistas brancos e a Ku Klux Klan. Isso não é apenas errado, isso o torna inelegível”, disse Marco Rubio em um comício em Virginia. “Não me digam que ele não sabe o que é a KKK. Isso é sério”, acrescentou.

Os também republicanos Ted Cruz e John Kasich se manifestaram no Twitter. Cruz escreveu: “Realmente triste. Donald Trump, você é melhor do que isto. Todos deveríamos concordar, o racismo é errado, a KKK é abominável”. Já Kasich postou o link de uma matéria sobre a entrevista de Trump e comentou: “Grupos de ódio não tem espaço na América. Somos mais fortes juntos. Fim da história”.
Os democratas Bernie Sanders e Hillary Clinton se uniram nas críticas a Trump, com Clinton compartilhando um post de Sanders no Twitter que diz: “O primeiro presidente negro dos EUA não pode ser e não será sucedido por um espalhador de ódio que se recusa a condenar a KKK”.
Mussolini
Também no domingo Trump respondeu a críticas por ter publicado no Twitter uma frase do líder fascista Benito Mussolini. "Sei quem disse a citação. Que diferença faz? Se a disse Mussolini ou outra pessoa... É, sem dúvida, uma citação muito interessante", afirmou à NBC.
"É melhor viver um dia como um leão, que cem como um cordeiro", diz a frase, publicada por um perfil que tuita frases do ditador italiano e reproduzida por Trump.