segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Preso por trocar notas por sexo, professor é conservador, evangélico e contra políticas para gays

Evangélico, ferrenho defensor da família, da direita, da moral e dos bons costumes e contra políticas de igualdade de gênero. É assim que o professor de história do Instituto Federal de Mato Grosso em Cuiabá, Adriano Knippelberg de Moraes, de 29 anos, se apresentava a seus alunos e alunas nas aulas e através de suas redes sociais.

Nesta terça-feira (30), ele foi preso pela Polícia Civil, acusado de fazer sexo com alunas em troca de elevação nas notas escolares.

A prisão foi efetuada pela  Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica). De acordo com a Polícia, as vítimas têm idade entre 15 e 17 anos.

Curiosamente, o último compartilhamento em seu Facebook foi uma montagem do discurso inflamado feito pelo Pastor Silmas Malafaia, na semana passada, durante um debate para discutir o Estatuto da Família, no Congresso Nacional.

No vídeo ainda aparecem os deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Pastor Marcos Feliciano (PSC-SP). O professor ainda se posiciona contrário à política de gênero, proposta pelo Plano Nacional de Educação.

Adriano também faz questão de reproduzir frequentemente trechos da bíblia em seu perfil. Entre as curtidas, estão a da Igreja Batista Nacional do Brasil, além de cantores evangélicos.

Deputado evangélico apoiado por professor diz que gays são ameaça à raça humana
Deputado evangélico apoiado por professor diz que gays são ameaça à raça humana
O professor também compartilha uma postagem feita pelo deputado federal Pastor Victório Gali (PSC-MT), líder da bancada evangélica mato-grossense, que é composta só por ele. Há uma semana, o parlamentar afirmou que gays representam uma ameaça à raça humana na Terra.

O compartilhamento defende um projeto de lei apresentado por Galli para proibir que o Big Brother seja transmitido em canal aberto por ter “conteúdo impróprio”.

No dia 24 de dezembro de 2013, o professor postou, como foto de capa de seu perfil, uma bandeira de Israel.

A Polícia começou a investigar o professor após uma denúncia anônima que foi confirmada por uma aluna, que registrou boletim de ocorrência. A aluna mostrou à Polícia, inclusive, conversas em aplicativos de celular com o professor.

Ao delegado, o professor admitiu que manteve relações sexuais com alunas, mas negou que tenha sido em troca de notas. O IFMT informou que instaurou processo administrativo que poderá gerar sua demissão.