quinta-feira, 30 de abril de 2015

Pesquisadores identificam causa de "doença misteriosa"

Ao que parece, a “doença misteriosa” que vem colecionando vítimas na Região Metropolitana do Recife está realmente relacionada ao mosquito Aedes aegypti. Mas pode não ser dengue. Pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) estudaram alguns pacientes naquele estado e concluíram que se tratam de casos de Zika Vírus - enfermidade que pode ter começado a circular no país através de turistas, durante a Copa do Mundo. Consultado pela reportagem do Diario, o infectologista do Hospital Osvaldo Cruz Luciano Arraes ressaltou que nenhum estudo semelhante foi conduzido em Pernambuco, mas disse que é possível que o cenário seja o mesmo do baiano.
auteloso, Luciano Arraes ressaltou que como o estudo foi realizado em uma população diferente, não é possível garantir que a conclusão possa ser aplicada em Pernambuco. “No entanto, é uma possibilidade. No Ceará, eles estão investigando a mesma hipótese. Mas pelos sintomas descritos pelos pacientes daqui, podemos estar lidando com casos de Zika vírus sim”, admitiu.

O médico também considerou plausível a ideia de que o vírus tenha entrado no Brasil durante a Copa do Mundo. “Não há registro da circulação desse vírus por aqui, mas já sabíamos que existia a possibilidade de que os turistas trouxessem variações de doenças para o nosso território”, descreveu. “Para minimizar essa chance, mantivemos um estado de alerta antes, durante e depois da Copa. Mas o pós durou cerca de 30 dias e esse período pode não ter sido suficiente”, acrescentou.

O infectologista lembrou ainda que como o zika vírus tem, entre outros, o Aedes aegypti como vetor, não seria de se estranhar que a nova doença passasse a circular rapidamente entre a população local. Arraes, entretanto, lembrou que a principal preocupação do poder público continua sendo a epidemia de dengue. “O zika vírus tem o quadro auto-limitado. Ou seja, tem começo, meio e fim. Em média, entre três e cinco dias o paciente já ficou bom e sem sequelas”, pontuou.

Por fim, Arraes voltou a orientar a população quanto ao procedimento que deve ser adotado quando houver suspeita de contágio. “Se aparecerem só as manchas no corpo, pode aguardar entre 24h e 48h para saber como a doença vai evoluir. Se vier acompanhada de febre, é importante que o paciente procure uma unidade de saúde rapidamente.”

Zika vírus
O Zika vírus foi isolado pela primeira vez no fim da década de 1940, através de estudos realizados em macacos rhesus que habitavam a floresta de Zika, na Uganda. O primeiro caso bem documentado em um humano data de 1964, com os mesmos sintomas observados atualmente: exantemas (manchas na pele), febre e dor no corpo. O primeiro surto da doença observado fora dos continentes da Ásia e da África foi registrado em 2007, na Oceania. Hoje, se sabe que mosquitos da família aedes (aegypti, africanus, apicoargenteus, furcifer, luteocephalus e vitattus) são os principais vetores da doença, que, de acordo com um único caso documentado em 2008, também pode ser transmitida sexualmente entre os humanos.